Atendimentos por lesões e distúrbios relacionados ao trabalho crescem 26,8% em Campinas
03/03/2026
(Foto: Reprodução) Atendimentos por esforço repetitivo e distúrbios osteomusculares crescem 27% na RMC
O Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas (SP) registrou um aumento de 26,8% nos atendimentos por Lesões por Esforço Repetitivo (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) entre 2023 e 2025.
🔍 LER e Dort são síndromes clínicas que afetam músculos, tendões, articulações e nervos. Atividades repetitivas, postura inadequada, condições e jornadas prolongadas de trabalho estão entre os fatores que contribuem para o início e agravamento dos casos.
De acordo com a Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, o número de atendimentos registrados no DRS de Campinas, que atende 42 cidades da região, chegou a 571 mil em 2023. Dois anos depois, em 2025, os casos chegaram a 725 mil — veja o levantamento completo abaixo.
"A maior causa de afastamento hoje, no Brasil, a gente sabe que são as dores na coluna, seja cervical, seja lombar, às vezes por uma hérnia de disco, por um problema de uma inflamação. Mas, quando você vai ver a relação disso com o trabalho, é bem frequente. Dores que vêm com o trabalho, por exemplo, posições ruins, pesos repetidos [...] Então, quando você consegue encaixar isso tudo, você fala em LER e Dort", explica o o médico ortopedista José Luís Zabeu.
LER e Dort: o que são?
De acordo com o Ministério da Saúde, as Lesões por Esforço Repetitivo e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho são síndromes clínicas que afetam músculos, tendões, articulações e nervos. Podem ser causadas, mantidas ou agravadas pelas condições de trabalho e atingem diversas categorias profissionais.
Essas lesões podem causar dor, formigamento, fraqueza e até incapacidade de realizar tarefas simples, impactando diretamente a saúde e a qualidade de vida do trabalhador. Segundo a pasta, a prevenção passa por ambientes de trabalho mais ergonômicos, pausas regulares e acompanhamento médico adequado.
Confira os principais fatores de risco:
Movimentos repetitivos sem pausas
Posturas inadequadas ou estáticas
Mobiliário não ergonômico
Exposição a vibrações, ruídos e temperaturas extremas
Carga e ritmo de trabalho acelerado
Pressão por metas e horas extras excessivas
Sobrecarga de peso e exigências cognitivas
Ocupações mais afetadas
Relação com o trabalho
Atendimentos por lesões e disturbios relacionados ao trabalho crescem 26,8% em Campinas
Reprodução/EPTV
De acordo com o médico ortopedista José Luís Zabeu, o o diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história ocupacional do paciente e no exame físico. Normalmente, a dor está relacionada a atividade que a pessoa exerce no meio profissional.
"Por exemplo, uma pessoa que tem um reumatismo pode ter dor no corpo e não tem nada a ver com o trabalho. Mas, quando ela claramente sente a dor no trabalho, e quando ela está em repouso, ela não sente. Está de final de semana, está de férias, e some tudo, é bem provável que ela tenha alguma coisa relacionada ao trabalho", relata o profissional.
No Brasil, de acordo com o Ministério da Saúde, os casos mais notificados entre 2006 e 2022 ocorreram entre:
trabalhadores domésticos
alimentadores de linha de produção
operadores de máquinas a vapor e utilidades
Outras profissões comumente relacionadas incluem teleatendentes, digitadores, costureiros, operadores de caixa, cozinheiros, trabalhadores da limpeza, auxiliares de odontologia, cortadores de cana, bancários, pedreiros e eletricistas.
Tendinite, bursite, hérnia e epicondilite
As dores da Meire Cristina Lima, que trabalha há 15 anos como técnica de enfermagem, começaram como um incômodo leve. Entretanto, com o passar dos meses, transformaram-se em algo constante na rotina da profissional da saúde.
⏩ A dor no pescoço, que achava que era hipertensão, era na verdade uma hérnia cervical. Nos braços têm tendinite e bursite, no cotovelo direito também tem tendinite, e no antebraço tem epicondilite.Os problemas de saúde não se limitaram aos braços, e Meire também recebeu o diagnóstico para hérnia de disco na lombar direita e tendinite no quadril.
Os exames comprovaram cada diagnóstico e Meire precisou ser afastada do emprego por tempo indeterminado.
"[O médico] falava que eu tinha que me ajudar também, que eu teria que me cuidar, porque eu estava fazendo fisioterapia, mas eu continuava fazendo os mesmos movimentos. Então, ele falou assim: 'você tem que se ajudar'. Eu faço fisioterapia para todas essas regiões e as tomo as medicações", relata Meire.
'Sinto dor 24 horas por dia'
Os movimentos repetitivos durante o trabalho como manicure causaram sérios problemas de saúde para Sileda Costa, profissional de beleza que atua há mais de 35 anos.
O primeiro sintoma foi a tendinite, que se espalhou para diferentes partes do corpo: mãos, pés, cotovelos, lombar e cervical. Apesar de tratar as dores com medicações, Sileda até precisou passar por uma cirurgia.
"Tudo relacionado ao meu trabalho [...] Tudo me dói. Dói meu tornozelo, dói minhas pernas. Aqui [em casa] eu tenho escada e não consigo subir. Para lavar uma louça agora, eu lavo com dificuldade por causa das costas. É horrível, eu sinto dor 24 horas por dia", relata a manicure.
Como previnir?
De acordo com o ortopedista José Luís Zabeu, mudanças de hábitos e medidas simples podem reduzir significativamente os riscos, como:
fazer pequenos alongamentos durante o trabalho;
manter o monitor na altura dos olhos;
manter postura e apoiar cotovelos e pés corretamente;
fazer pausas de 5 a 10 minutos por hora;
e evitar o uso excessivo do celular.
"A ginástica laboral tem um espaço muito importante, mas de maneira simples. A gente tem que se alongar, a gente tem que dormir, a gente tem que se preparar fisicamente e emocionalmente para os nossos desafios. E o trabalho é um desafio do dia a dia", finaliza o profissional.
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