Brasileira encara Antártica para estudar genética de aves e monitorar gripe aviária
23/02/2026
(Foto: Reprodução) Pesquisadora brasileira na Antártida
Raiane Amorim
A rotina de campo na Antártica exige preparo físico, rigor científico e, sobretudo, sensibilidade para observar a vida em um dos ambientes mais extremos do planeta. Foi nesse cenário que a doutoranda brasileira Raiane Amorim desenvolveu parte de sua pesquisa sobre aves marinhas, unindo tecnologia de ponta e observação direta da fauna para estudar o biguá-antártico (Leucocarbo bransfieldensis) e monitorar o avanço da gripe aviária na região.
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Em parceria internacional com a Pontifícia Universidade Católica do Chile (PUC-Chile) e com financiamento da Capes, a pesquisadora investiga a história genética dessas aves e os impactos das mudanças climáticas sobre as populações.
O estudo utiliza ferramentas modernas de genômica, genética populacional e modelagem de nicho ecológico para entender como fatores ambientais moldam a evolução, a dispersão e a estrutura genética das espécies ao longo do tempo.
Um dos principais objetivos da pesquisa é a construção do primeiro genoma completo de referência do biguá em nível cromossômico — um avanço que deve contribuir para estudos futuros e para a elaboração de estratégias de conservação de aves marinhas.
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Expedição e desafios em campo
Raiane em atividade de campo na Antártica
Raiane Amorim
Durante 18 dias, Raiane integrou uma expedição a bordo do navio chileno Betanzos, ao lado de outros 26 pesquisadores. O grupo percorreu ilhas da Península Antártica, como Avian, Lagotellerie, Horseshoe, Biscoe, Curville e Deception, em busca de colônias reprodutivas.
O trabalho envolvia desde a localização e mapeamento das colônias até a coleta de material biológico das aves, sempre com técnicas que priorizam o bem-estar animal e minimizam o estresse. Entre as espécies monitoradas estavam diferentes tipos de pinguins, além de skuas, petréis e o próprio biguá-antártico (Leucocarbo bransfieldensis).
Biguá-antártico (Leucocarbo bransfieldensis)
Raiane Amorim
"Além do escopo genético, também atuamos no monitoramento ativo da influenza aviária de alta patogenicidade, dado o aumento alarmante de notificações da doença na região. Em algumas colônias, registramos altos índices de mortalidade, especialmente entre filhotes, evidenciando a vulnerabilidade sanitária de ecossistemas remotos como a Antártica", conta Raiane.
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Cenas marcantes da fauna
Apesar dos desafios, a experiência em campo foi marcada por momentos únicos. Para a pesquisadora, encontrar colônias de biguás-antárticos em seu habitat natural foi especialmente emocionante.
“Não apenas por serem meu objeto de estudo, mas por não serem considerados uma espécie carismática, como os pinguins. Ver esses animais onde realmente pertencem tornou tudo ainda mais especial”, conta.
Entre as lembranças mais marcantes, uma cena delicada em meio ao clima hostil chamou atenção. Em um dia chuvoso, em uma colônia de pinguins, um casal ainda incubava seu ovo enquanto outros já cuidavam de filhotes.
pinguim-de-barbicha (Pygoscelis antarcticus)
Raiane Amorim
“Enquanto a fêmea permanecia imóvel, chocando o ovo, o macho ia e voltava sob a chuva trazendo pedrinhas como presente. Era como se existisse um mundo à parte, só deles dois e daquele ovo, foi uma daquelas cenas que a gente nunca esquece.”, relembra.
A pesquisadora também destaca o comportamento estratégico das skuas, aves que atuam em dupla para roubar ovos e filhotes de pinguins. “Enquanto uma distrai os pais, a outra aproveita para atacar. É impressionante ver como esse comportamento faz parte do equilíbrio natural.”
Ao todo, Raiane avistou cerca de 13 espécies de aves durante a expedição, reforçando a diversidade da fauna antártica e a importância de estudos integrados.
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