Campinas gasta mais com tapa-buracos do que com recapeamento; entenda a diferença
29/04/2026
(Foto: Reprodução) Campinas investe R$ 29 milhões em tapa-buracos e recapeamento viário em 2026
A Prefeitura de Campinas investiu R$ 26,2 milhões em serviços de tapa-buraco apenas em 2026, enquanto as obras de recapeamento receberam R$ 3,1 milhões no mesmo período.
A diferença no investimento, segundo a administração municipal, ocorre porque o recapeamento é um serviço mais caro, tornando o tapa-buraco uma solução mais viável para problemas pontuais, apesar de gerar desconforto e reclamações de motoristas.
Em ruas e avenidas movimentadas, como a John Boyd Dunlop e a Teodureto de Almeida Camargo, a consequência é um asfalto repleto de remendos e ondulações.
"A gente deixa mais na manutenção, na oficina, do que a gente ganha no mês", reclama um motorista.
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Para o pintor Lucas Braga Alves, que usa bicicleta, o desnível na Avenida Mário Garneiro, em Sousas, representa um perigo ainda maior. "Às vezes eu deslizo, e esses carros que passam igual loucos, às vezes passam por cima de mim se eu cair", conta.
Prefeitura de Campinas (SP) gasta mais com serviços de tapa-buracos do que recapeamento, serviço mais indicado para a qualidade do tráfego, segundo professor da Unicamp
Reprodução/EPTV
Remendo ou solução?
Segundo o secretário de Serviços Públicos, Ernesto Paulella, o ideal seria investir mais em recapeamento, mas o custo elevado direciona os recursos para o tapa-buraco.
"Eu gasto cerca de R$ 7 milhões por mês com tapa-buracos e em torno de R$ 3 a R$ 4 milhões com recapeamento", explica.
O professor Creso de Franco Peixoto, da Faculdade de Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo da Unicamp, esclarece que o tapa-buraco é, por natureza, um remendo que gera desconforto.
"Por mais perfeito que ele seja feito, sempre existe um pequeno desnível. A sensação do motorista, quando ele anda numa via recapeada, é de maior conforto", afirma.
Ele acrescenta que a necessidade constante de remendos é um sinal claro do fim da vida útil do asfalto.
"Tapa-buraco precede recapeamento. Portanto, quando a Prefeitura faz o tapa-buraco, ela já está trabalhando num pavimento que já dá evidência que está se aproximando do seu final de vida útil", analisa o professor.
Investimentos e planos futuros
Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram a variação nos gastos ao longo dos anos em Campinas.
O investimento em tapa-buracos, que foi de quase R$ 40 milhões em 2021, fechou 2025 em R$ 67,8 milhões.
Já o recapeamento, que recebeu mais de R$ 100 milhões em 2023 com verbas estaduais, terminou o ano passado com um investimento de R$ 30 milhões.
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