VÍDEO: Homem grava boipeva tentando engolir sapo-cururu enorme

  • 02/04/2026
(Foto: Reprodução)
Homem grava boipeva tentando engolir sapo-cururu enorme Um visitante registrou uma cena curiosa da natureza enquanto caminhava pelas trilhas das cachoeiras do Eco Parque Coração da Canastra, em Capitólio (MG): uma serpente tentava engolir um sapo-cururu muito maior que ela. 📱 Receba conteúdos do Terra da Gente também no WhatsApp O flagrante foi feito por Jonathan Rodrigues de Souza, que enviou o vídeo à equipe do Terra da Gente. Segundo ele, o encontro inesperado chamou atenção pela dificuldade da serpente em conseguir engolir o anfíbio, que parecia grande demais em comparação com o tamanho da cobra. Jonathan conta que experiências como essa o fazem prestar ainda mais atenção aos acontecimentos da natureza. “Jamais imaginei ver uma cena tão fascinante, nunca havia presenciado algo assim na vida. Foi realmente fantástico.” Boipeva tentando engolir sapo cururu Jonathan Rodrigues de Souza VIU ISSO? Filhote da jiboia mais rara do mundo é encontrado vivo pela 1ª vez em SP Novo fungo 'zumbi' que controla aranhas é descoberto em Minas Gerais Pedra de azul 'impossível' nasceu no sertão e pode valer mais que diamante Ele afirma que não acompanhou o desfecho da tentativa de predação. Como a cobra enfrentava dificuldade para engolir o sapo, o processo poderia levar bastante tempo. Por isso, o visitante decidiu seguir seu passeio sem saber o final da história. Em um primeiro momento, ele relata que ficou com o coração apertado ao ver a situação do sapo. Depois, porém, reconheceu que se trata de um processo natural da vida na natureza. Defesa do sapo Sapo cururu na natureza rafaelduarte/ iNaturalist A serpente registrada no vídeo é uma boipeva (Xenodon merremii), espécie frequentemente confundida com jararacas por causa da coloração, mas que não possui veneno. Já o sapo-cururu (Rhinella sp.) conta com mecanismos de defesa bem conhecidos. Um deles é inflar o corpo com ar quando atacado por predadores. Isso faz com que o animal pareça maior e dificulta sua ingestão. Serpente conhecida como boipeva hhulsberg/ iNaturalist Além disso, ao inflar o corpo, o sapo expõe as glândulas parotoides, localizadas na região das costas, que produzem substâncias tóxicas. Segundo a herpetóloga Karina Banci, do Instituto Butantan, esse comportamento pode dificultar o ataque do predador. “Quando os sapos estão ‘inflados’, como se fossem um balão cheio de ar, o predador poderia se sentir intimidado pelo tamanho da presa e pela dificuldade de deglutição e manipulação.” Ela explica que, apesar da aparência, o sapo não aumenta de tamanho de fato. “Quando inflado o corpo, o sapo apenas aparenta ficar maior, e efetivamente não fica daquele tamanho.” Sapo cururu na natureza oecophylla/ iNaturalist A pesquisadora acrescenta que essa estratégia também pode ajudar o animal em ambientes aquáticos. “Curiosamente, essa estratégia pode ser favorável também no ambiente aquático, fazendo com que o sapo flutue na água e dificulte a captura por predadores aquáticos.” Predação comum na natureza Segundo a especialista, não é possível afirmar com certeza se a cobra conseguiu concluir a predação registrada no vídeo. “Alguns registros mostram que, às vezes, elas acabam sendo mais ‘gulosas’ do que deveriam.” Ainda assim, Karina explica que esse tipo de interação é comum na natureza. A boipeva se alimenta principalmente de lagartos e anuros — grupo que inclui sapos, rãs e pererecas — e o sapo-cururu está entre suas presas. Mesmo com os mecanismos de defesa do anfíbio, a estratégia pode não funcionar contra a serpente. Isso porque a boipeva apresenta resistência às toxinas do sapo. Além disso, muitas cobras são capazes de engolir presas maiores que o próprio corpo. Adaptação para comer sapos Serpente conhecida como boipeva hhulsberg/ iNaturalist De acordo com a pesquisadora, a boipeva possui adaptações específicas que ajudam na captura desse tipo de presa. A espécie apresenta dentição áglifa, característica de serpentes não peçonhentas, ou seja, não possui presas inoculadoras de veneno. Ainda assim, a cobra possui dentes de formatos diferentes ao longo da boca, condição chamada de heterodontia. Os dentes posteriores da parte superior da boca são mais desenvolvidos. Essa adaptação ajuda na captura do sapo-cururu. “Quando vai capturar o cururu, portanto, a boipeva gira a cabeça em 180º para morder a parte superior (região ventral) do sapo. Esses dentes mais desenvolvidos no fundo da sua boca acabam furando a barriga do sapo, fazendo com que ele murche e possibilitando sua ingestão pela serpente”, finaliza a pesquisadora do Instituto Butantan. *Sob supervisão de Rodrigo Peronti. VÍDEOS: Destaques Terra da Gente Veja mais conteúdos sobre a natureza no Terra da Gente

FONTE: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/2026/04/02/video-homem-grava-boipeva-tentando-engolir-sapo-cururu-enorme.ghtml


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